A minha ideia é fazer um conjunto de textos separados. Cada um pode ser lido separadamente, mas o "jogo de anca" aparece quando os combinamos.
Cada combinação aleatória pode gerar um texto diferente. Numa posição, os textos contam uma história de amor, noutra uma carta de suicídio de um coronel, noutra uma investigação de um roubo por um detective na reforma, ainda a história de um político envolvido num esquema de corrupção, um padre que perdeu a fé, uma personagem envolvida no Apocalipse, um anjo caído, uma mulher que descobre ser traída... Com pouco mais de uma dezena de textos as possibilidades de permutação são tão grandes que uma pessoa pode nunca mais comprar um livro na vida. Pode atirar os textos ao chão e lê-los na ordem em que os apanha. Será o maior livro de sempre - aquele que nunca acaba de ser lido. Será ao mesmo tempo uma metáfora das infinitas possibilidades que o Universo nos proporciona.
Infelizmente, para o trabalho ficar bem feito, eu próprio terei de percorrer todas as permutações possíveis e alterá-las de modo a que façam um texto coerente. Mas ao alterar a próxima, posso estar a estragar a anterior. O trabalho será infinito, mas passá-lo-ei para as próximas gerações e enquanto houver Humanidade será continuado até se tornar numa tradição, num mito, numa mostra de devoção religiosa...
Quarta-feira, 12 de Março de 2008
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