Domingo, 24 de Fevereiro de 2008
Imaginei um livro em que um homem, por inúmeros e estranhos equívocos, perde a mulher, o emprego e o respeito de todos que conhece. Dá-se nele uma estranha e perigosa euforia, que ele, num momento de lucidez, tenta combater bebendo até perder a consciência de si. Nessa altura é assaltado. Ao homem parece que aquela figura que lhe aponta uma arma é uma força maior que eles, como se o outro tivesse nascido só para que neste momento o pudesse matar. O assaltante apercebe-se do que se espera dele, e por reflexo transforma-se em carrasco, disparando. Deus não gosta desta arrogância, desta ideia de que, em algum momento, alguém consiga perceber os seus desígnios e castiga o homem obrigando-o a reencarnar como filho de um casal de comerciantes em Mem Martins.
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